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domingo, 22 de novembro de 2020
Filosofia com tópicos estudados na Pandemia
terça-feira, 17 de novembro de 2020
Texto 2 para o trabalho de filosofia Hegel
Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770 - 1831)
Hegel busca entender o homem em sua totalidade, ou seja, tenta compreender todos os aspectos do ser humano e explicar tudo que o ser humano vive e é através de um único sistema. Todo o universo, tudo que existe, existiu ou vai existir, inclusive a história e o tempo, são vistos como um único organismo em constante mudança e o ser humano é somente parte desse organismo e provavelmente não a mais importante.
Esse todo, essa totalidade, em seu desenvolvimento, segue princípios do que ele chama de espírito racional, que é infinito. O espírito racional é o que direciona a vida da totalidade do mundo. Conhecer esse espírito racional é o grande objetivo da filosofia. Essa racionalidade não é algo separada da realidade, ao contrário, são a mesma coisa: "o que é real é racional e o que é racional é real", nas palavras de Hegel.
A racionalidade cria a multiplicidade através da criação de conceitos e a criação de conceitos opostos é que gera o movimento dialético, a dialética é, portanto, a vida da racionalidade. Em outras palavras, a razão cria a realidade quando conceitua essa realidade e cria a mudança da realidade quando cria conceitos diferentes ou opostos para a realidade, esses conceitos opostos ou diferentes vão interagir entre si e criar algo que pode ser novo, esse é o movimento dialético. Além disso, a dialética é especulativa, ou seja, ela busca a construção de novos conhecimentos por meio de novas teorizações, de indagações e da criação de novos conceitos.
Mas a realidade só existe como conceito racional, seja em que parte da dialética ela estiver. Conceituamos quando trazemos para a razão o mundo dos fatos, mas tudo o que está em nós são conceitos, dessa forma a realidade é conceituação racional.
A dialética tem três momentos, o primeiro é o "ser em si", o segundo é o "ser outro ou fora de si" e o terceiro é o "retorno a si ou ser em si e para si", num exemplo do próprio Hegel: "A semente é em si a planta, mas ela deve morrer como semente e, portanto, sair fora de si, a fim de poder se tornar, desdobrando-se, a planta para si (ou em si e para si)".
A construção da realidade e da verdade é um constante processo entre o ser e o não ser. A conceituação, a construção da realidade pela nossa racionalidade, é algo que vem do nada e tem a possibilidade de ir para o nada no processo dialético. Ou nas palavras do autor: "o ser e o nada são uma só e mesma coisa".
O espírito racional trabalha ainda como pano de fundo da história, que é uma série de ações e criações irreversíveis que visam um objetivo buscado pelo espírito racional, objetivo esse que nós, enquanto indivíduos isolados, não temos como perceber na história.
Para o ser humano a história pode parecer um conjunto de acontecimentos não necessários, inconstantes e sem significado, mas isso acontece porque buscamos nela os nossos interesses isolados e não os objetivos do espírito racional que é o que forma e dá sentido à história. Os homens tem a ilusão de que comandam e constroem a história, mas o que acontece é o contrário, os homens são elementos descartáveis para que se possa cumprir na história os objetivos do espírito racional. Os homens não colhem os frutos do seu trabalho que ficam sempre para as gerações seguintes.
(Extraído de: http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=105)
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
Texto para trabalho de Filosofia
Immanuel Kant nasceu em Konigsberg, uma cidade da Prússia oriental, em 1724. Ele era filho de um seleiro e passou quase toda sua vida em sua cidade natal, até falecer aos 80 anos. Sua família era muito fervorosa em sua fé cristã, razão pela qual a convicção religiosa do próprio Kant foi um elemento muito importante para a sua filosofia.
Kant achava que tanto os sentidos quanto a razão eram muito importantes para a nossa experiência do mundo. Contudo, ele achava que os filósofos racionalistas atribuíam uma importância exagerada à razão, enquanto os filósofos empíricos eram parciais demais ao defender a experiência centrada nos sentidos.
Como ponto de partida, Kant concordava com o filósofo Hume e com os empíricos quanto ao fato de que devemos todos nossos conhecimentos às impressões dos sentidos. Mas, e nesse ponto ele concorda com os racionalistas, nossa razão também contém pressupostos importantes para o modo como percebemos o mundo à nossa volta. Em nós mesmos, portanto, existem certas condições que determinam nossa concepção do mundo.
Por exemplo, se você coloca um óculos com lentes vermelhas, tudo fica vermelho. A explicação para isso é que as lentes dos óculos determinam o modo como você percebe a realidade. Tudo o que você vê é parte do mundo que está fora de você mesmo; mas o modo como você enxerga tudo isto também é determinado pelas lentes dos óculos.
Os óculos são a premissa para o modo como você enxerga o mundo. Da mesma maneira, para Kant, também possuímos certas premissas em nossa razão, que deixam suas marcas em todas as nossas experiências.
Não importa o que possamos ver, sempre percebemos o que vemos sobretudo como fenômenos no tempo e no espaço. Kant chamava o tempo e o espaço como “formas de sensibilidade”. E ele sublinhava que essas duas formas já existem em nossa consciência antes de qualquer experiência. Isto significa que podemos saber, antes de experimentar alguma coisa, que vamos experimentá-la como fenômeno no tempo e no espaço.
Para Kant, até a lei da causalidade, que, segundo Hume, o homem era incapaz de experimentar, é elemento componente da razão humana. Kant considera uma propriedade da razão humana exatamente isto que, para Hume, não pode ser provado. A lei da casualidade é eterna e absoluta, simplesmente porque a razão humana considera tudo o que acontece dentro de uma relação de causa e efeito.
Kant concorda com Hume em que não podemos saber com certeza como o mundo é “em si”. Só podemos saber como o mundo é “para mim” e, portanto, para todos os homens. A diferença que Kant estabelece entre as “coisas em si” e as “coisas para nós” é a sua mais importante contribuição para a filosofia. Nunca seremos capazes de saber com toda certeza como as coisas são “em si”. Só poderemos saber como elas “se mostram” a nós. Em compensação, podemos dizer com certeza como as coisas serão percebidas pela razão humana.
No entanto, Kant achava que o homem jamais seria capaz de chegar a um conhecimento seguro acerca das “grandes questões filosóficas”. Isto não significa que ele não queria se ocupar dessas questões.
Kant achava que precisamente nessas “grandes questões filosóficas” a razão operava fora dos limites daquilo que nós, seres humanos, podemos compreender. Por outro lado, uma característica intrínseca a nossa natureza, à nossa razão, seria justamente um impulso básico no sentido de colocar essas perguntas. Só que quando perguntamos, por exemplo, se o universo é finito ou infinito, na verdade estamos querendo saber algo sobre um todo do qual na verdade somos apenas uma ínfima parte. Assim, nunca poderemos conhecer inteiramente este todo.
Outra questão muito discutida por Kant foi a “questão moral”. Desde o início, ele tinha uma forte impressão de que a diferença entre certo e errado tinha de ser mais do que uma questão de sentimento. Nesse ponto ele concordava com os racionalistas, para quem a diferenciação entre certo e errado era um questão inerente a razão humana. Kant acreditava que todos os homens possuem uma “razão pratica”, que nos diz a cada um o que é certo e o que é errado no campo moral.
Kant formula sua lei moral como um “imperativo categórico”. Por “imperativo categórico” Kant entende que a lei moral é “categórica”, ou seja, vale para todas as situações. Além disso, ela também é “imperativo”, uma ordem, portanto, e também ;e absolutamente inevitável.
Entretanto, Kant formula o seu “imperativo categórico” de várias maneiras. Ou seja: “Age como se a máxima de tua ação devesse ser erigida por tua vontade em lei universal da Natureza”, “Age de tal maneira que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca como um meio” e “Age como se a máxima da tua ação devesse servir de lei universal para todos os seres racionais”.
No entanto, como ao obedecermos a uma lei estamos agindo em liberdade?
Para Kant, enquanto seres dotados de sentidos pertencemos inteiramente à ordem da natureza; por consequência, também estamos sujeitos à lei da causalidade. Desse ponto de vista, não possuímos livre-arbítrio. Como seres dotados de razão, porem, também temos em nos uma parte do mundo “em si”, ou seja, do mundo que existe independentemente dos nossos sentidos. Somente quando seguimos nossa “razão prática”, que nos habilita a fazer uma escolha moral, é que possuímos livre-arbítrio. Isto porque ao nos curvarmos à lei moral somos nós mesmos que estamos determinando a lei que vai nos governar.
Para concluir, podemos dizer que Kant conseguiu encontrar uma saída para o impasse a que a filosofia tinha chegado através da “briga” entre racionalistas e empíricos. Com Kant termina, assim, toda uma épica da história da filosofia. Ele morreu em 1804, no início da época que chamamos de Romantismo. A lápide de seu túmulo traz inscrita uma de suas citações mais conhecidas: “Duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim”. Ai estão os grandes enigmas que o moveram e à sua filosofia.
Adaptado do site: https://sobrekant.wordpress.com/2009/12/01/kant-para-leigos/