“A natureza mesmo da empresa mineira não permitia uma ligação à terra do tipo que prevalecia nas regiões açucareiras. O capital fixo seria reduzido, pois a vida de uma lavra era sempre algo incerto. A empresa estava organizada de forma a poder deslocar-se em tempo relativamente curto. Por outro lado, a elevada lucratividade do negócio induzia a concentrar na própria mineração todos os recursos disponíveis. A combinação desses dois fatores – incerteza e correspondente mobilidade da empresa, alta lucratividade e correspondente especialização – marcam a organização de toda a economia mineira. Sendo a lucratividade maior na etapa inicial da mineração, em cada região, a excessiva concentração de recursos mineratórios conduzia sempre a grande quantidade de dificuldades de abastecimento. A fome acompanhava sempre a riqueza nas regiões do ouro. A elevação dos preços dos alimentos e dos animais de transporte nas regiões vizinhas constitui o mecanismo de irradiação dos benefícios econômicos da mineração”. (FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Ed. Nacional, 1982, p.76)