quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Questionário Filosofia com elementos Racionalistas, Empirista e Kantianos

 Questão 01

Considerando que todos os mesmos pensamentos que temos quando despertos nos podem também ocorrer quando dormimos, sem que haja nenhum, nesse caso, que seja verdadeiro, resolvi fazer de conta que todas as coisas que até então haviam entrado no meu espírito não eram mais verdadeiras que as ilusões de meus sonhos. Mas, logo em seguida, adverti que, enquanto eu queria assim pensar que tudo era falso, cumpria necessariamente que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, notando que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as mais extravagantes suposições não seriam capazes de a abalar, julguei que podia aceitá-la, sem escrúpulo, como o primeiro princípio da Filosofia que procurava. Pelo fato mesmo de eu pensar em duvidar da verdade das outras coisas seguia-se mui evidentemente e mui certamente que eu existia. (René Descartes. Discurso do método, 1973. Adaptado.)

O excerto do Discurso do método de René Descartes (1596-1650) expõe o procedimento inicial da reflexão do filósofo, a chamada “dúvida metódica”. A dúvida tem a função de abrir o caminho da verdade. Pela dúvida, o filósofo chega à primeira certeza, que está na origem do

 

A) ceticismo, porque o único conhecimento possível, claro e distinto é o da existência dos homens.

B) racionalismo, porque fundado sobre a dedução de todas as coisas a partir do pensamento.

C) cientificismo, porque a razão pode realizar experiências aproximando e comparando os fenômenos naturais.

D) empirismo, porque uma vez provada a existência humana, pode-se acreditar na capacidade de percepção de seus sentidos.

E) materialismo, porque a filosofia cartesiana tem por finalidade provar a existência de Deus.

 

Questão 02

Nas primeiras linhas das Meditações Metafísicas, Descartes declara que “recebera muitas falsas opiniões por verdadeiras” e que “aquilo que fundou sobre princípios mal assegurados devia ser muito duvidoso e incerto”. (DESCARTES, R. Meditações Metafísicas, In: MARÇAL, J. CABARRÃO, M.; FANTIN, M. E. (org.) Antologia de textos filosóficos, Curitiba: SEED-PR, 2009, p. 153.) A fim de dar bom fundamento ao conhecimento científico, Descartes entende que é preciso:

 

A) confiar nas próprias opiniões.

B) partir de princípios seguros e proceder com método.

C) seguir as opiniões dos mais sábios.

D) certificar-se de que os outros pensam como nós.

E) aceitar que o conhecimento é duvidoso e incerto.

 

Questão 03

A maneira pela qual adquirimos qualquer conhecimento constitui suficiente prova de que não é inato. (John Locke, Ensaio acerca do entendimento humano. São Paulo: Nova Cultural, 1988, p.13.) O empirismo, corrente filosófica da qual Locke fazia parte,

 

A) defende que as ideias estão presentes na razão desde o nascimento.

B) é uma forma de ceticismo, pois nega que os conhecimentos possam ser obtidos.

C) aproxima-se do modelo científico cartesiano, ao negar a existência de ideias inatas.

D) afirma que o conhecimento não é inato, pois sua aquisição deriva da experiência.

E) nenhuma das outras alternativas está correta.

 

Questão 04

Posto que as qualidades que impressionam nossos sentidos estão nas próprias coisas, é claro que as ideias produzidas na mente entram pelos sentidos. O entendimento não tem o poder de inventar ou formar uma única ideia simples na mente que não tenha sido recebida pelos sentidos. Gostaria que alguém tentasse imaginar um gosto que jamais impressionou seu paladar, ou tentasse formar a ideia de um aroma que nunca cheirou. Quando puder fazer isso, concluirei também que um cego tem ideias das cores, e um surdo, noções reais dos diversos sons. (John Locke. Ensaio acerca do entendimento humano, 1991. Adaptado.)

De acordo com o filósofo, todo conhecimento origina-se

 

A) lembranças de inspirações de vidas passadas.

B) da combinação de ideias que estariam presas aos objetos.

C) de noções prévias que existiriam de forma instintiva na mente humana.

D) da experiência com objetos reais para formação das ideias.

E) do espírito do tempo de cada geração.

 

Questão 05

Fraqueza e covardia são as causas pelas quais a maioria das pessoas permanece infantil mesmo tendo condição de libertar-se da tutela mental alheia. Por isso, fica fácil para alguns exercer o papel de tutores, pois muitas pessoas, por comodismo, não desejam se tornar adultas. Se tenho um livro que pensa por mim; um sacerdote que dirige minha consciência moral; um médico que me prescreve receitas e, assim por diante, não necessito preocupar-me com minha vida. Se posso adquirir orientações, não necessito pensar pela minha cabeça: transfiro ao outro esta penosa tarefa de pensar. (Fonte: I. Kant, O que é a ilustração. In: F. Weffort (org). Os clássicos da política, v. 2, 6 ed. São Paulo: Saraiva, 2006).

Esse fragmento trata da importância que Kant dá à(ao):

 

A) juízo.

B) costume.

C) cultura.

D) razão.

E) experiência.

 

Questão 06

No século XVIII, o filósofo Emanuel Kant formulou as hipóteses de seu idealismo transcendental. Segundo Kant, todo conhecimento logicamente válido inicia-se pela experiência, mas é construído internamente por meio das formas a priori da sensibilidade (espaço e tempo) e pelas categorias lógicas do entendimento. Dessa maneira, para Kant, não é o objeto que possui uma verdade a ser conhecida pelo sujeito cognoscente (que conhece), mas sim o sujeito que, ao conhecer o objeto, nele inscreve suas próprias coordenadas sensíveis e intelectuais. De acordo com a filosofia kantiana, pode-se afirmar que

 

A) a mente humana é como uma “tabula rasa”, uma folha em branco que recebe todos os seus conteúdos da experiência.

B) os conhecimentos são revelados por Deus para os homens.

C) todos os conhecimentos são inatos, não dependendo da experiência.

D) Kant foi um filósofo da antiguidade.

E) para Kant, o centro do processo de conhecimento é o sujeito, não o objeto.

 

Questão 07

Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma condição estranha, continuem, no entanto, de bom grado menores durante toda a vida.

KANT, I. Resposta à pergunta: o que é esclarecimento? Petrópolis: Vozes, 1985 (adaptado).

Kant destaca no texto o conceito de Esclarecimento, fundamental para a compreensão do contexto filosófico da Modernidade. Esclarecimento, no sentido empregado por Kant, representa

 

A) a reivindicação de autonomia da capacidade racional como expressão da maioridade.

B) o exercício da racionalidade como pressuposto menor diante das verdades eternas.

C) a imposição de verdades matemáticas, com caráter objetivo, de forma heterônoma.

D) a compreensão de verdades religiosas que libertam o homem da falta de entendimento.

E) a emancipação da subjetividade humana de ideologias produzidas pela própria razão.

 

Questão 08

A necessidade de conviver em grupo fez o homem desenvolver estratégias adaptativas diversas. Darwin, num estudo sobre a evolução e as emoções, mostrou que o reconhecimento de emoções primárias, como raiva e medo, teve um papel central na sobrevivência. Estudos antigos e recentes têm mostrado que a moralidade ou comportamento moral está associado a outros tipos de emoções, como a vergonha, a culpa, a compaixão e a empatia. Há, no entanto, teorias éticas que afirmam que as ações boas devem ser motivadas exclusivamente pelo dever e não por impulsos ou emoções. Essa teoria é a ética

 

A) deontológica (kantiana) fazer porque deve ser feito, apegada ao imperativo categórico.

B) das virtudes, ou seja, o homem nasce com a tendência de fazer o que é certo.

C) utilitarista só interessa o bem pessoal que se tira da ação.

D) contratualista o bem é definido por contrato estabelecido entre as partes sem nuances morais.

E) teológica é extraído da religião e somente inspirado por ela.

 

Questão 09

Para Kant dois elementos importantes formam o conhecimento final do ser humano, são eles:

 

A) razão e sensibilidade.

B) desejo e vontade.

C) certeza e dúvida.

D) saber a priori e a posteriori.

E) nenhuma das anteriores está correta.

 

Questão 10

Para Kant os objetos observados:

 

A) trazem em si o fundamento de sua existência que devem ser incorporados pelo observador.

B) trazem a verdade presa dentro de sua forma e, portanto, o observador deveria devotar a vida a apreendê-lo.

C) trazem a essência metafísica que deve ser compreendida para, então, poder se afirmar algo sobre o ser.

D) o sujeito só tem informações dos objetos observados para, a partir da relação de observação formar uma imagem mental desse objeto.

E) nenhuma das alternativas anteriores está correta.




Gabarito com respostas

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Discurso do filme O Grande Ditador (Charles Chaplin)


 

“Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio… negros… brancos.


Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.


O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.


A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem… um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.


Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!


Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.


É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!.”


[Discurso do filme: O grande ditador.]