quarta-feira, 8 de junho de 2016

Primeiro Reinado - Parte I



ATENÇÃO!! Estes tópicos são apenas uma visão geral, de modo algum substituem as aulas ou as anotações de aula!! A maneira CORRETA de usar estas referências se dá com a leitura e anotação destas informações em casa e com o acompanhamento (anotações de aula e esclarecimentos das dúvidas) e PARTICIPAÇÃO em sala de aula!!!

Carta aos Paulistanos com a famosa frase (8 de setembro de 1822):

"Honrados Paulistanos: O amor que eu consagro ao Brasil em geral, e a vossa Província em particular, por ser aquela que perante mim e o mundo inteiro fez conhecer primeiro que todo o sistema maquiavélico, desorganizador e faccioso das Cortes de Lisboa, me obrigou a ir entre vós fazer consolidar a fraternal união e tranqüilidade, que vacilava, e era ameaçada por desorganizadores, que em breve conhecereis, fechada que seja a devassa, a que mandei proceder. Quando eu mais que contente estava junto de vós, chegam noticias que de Lisboa os traidores da Nação, os infames Deputados pretendem fazer atacar ao Brasil, e tirar-lhe do seu seio seu Defensor; Cumpre-me como tal tomar todas as medidas que minha imaginação me sugerir; e para que estas sejam tomadas com aquela madureza, que em tais crises se requer, sou obrigado, para servir ao meu ídolo, o Brasil, a separar-me de vós, (o que muito sinto), indo para o Rio ouvir meus Conselheiros, e providenciar sobre negócios de tão alta monta. Eu vos asseguro que cousa nenhuma me poderá ser mais sensível, do que o golpe que minha alma sofre, separando-me de meu amigos Paulistanos, a quem o Brasil, e eu devemos os bens, que gozamos, e esperamos gozar de uma Constituição liberal e judiciosa. Agora, Paulistanos, só vos resta conservardes união entre vós, não só por ser esse o dever de todos os bons Brasileiros, mas também por que a nossa Pátria esta ameaçada de sofrer uma guerra, que não só nos há de ser feita pela Tropas, que de Portugal forem mandadas, mas igualmente pelos seus servis partidistas, e vis emissários, que entre nós existem atraiçoando-nos. Quando as autoridades, vos não administrarem aquela Justiça imparcial, que delas deve ser inseparável, representai-me que eu providenciarei. A divisa do Brasil deve ser - INDEPENDÊNCIA OU MORTE - Sabei que, quando trato da Causa Publica, não tenho amigos e validos em ocasião alguma.

Existi tranqüilos: acautelai-vos dos facciosos sectários das Cortes de Lisboa; e contai em toda a ocasião com o vosso
Defensor Perpétuo. Paço em oito de setembro de mil oitocentos e vinte dois."

PRINCIPE REGENTE [Trata-se de D. Pedro]
 


Carta eloquente mostrando os assuntos familiares da dinastia (carta de 22 de setembro de 1822):
"Meu pai e senhor, tive a honra de receber de Vossa Majestade uma carta datada de 3 de agosto, na qual Vossa Majestade me repreende pelo modo de escrever e falar da facção luso-espanhola (se Vossa Majestade me permitir, eu e meus irmãos brasileiros lamentamos muito o estado de coação em que Vossa Majestade jaz sepultado); eu não tenho outro modo de escrever, e como o verso era para ser medido pelos infames deputados europeus e brasileiros do partido dessas despóticas cortes executivas, legislativas e judiciárias, cumpria ser assim; e como eu agora, mais bem informado, sei que Vossa Majestade está positivamente preso, escrevo (esta última sobre pastas já decididas pelos brasileiros) do mesmo modo porque, com perfeito conhecimento de causa estou capacitado que o estado de coação a que Vossa Majestade se acha reduzido e o que o faz obrar bem contrariamente ao seu gênio liberal. Deus nos livrasse se outra coisa pensássemos.
     Embora se decrete a minha deserdação, embora se cometam todos os atentados que em clubes carbonários forem forjados, a causa não retorgrará, e eu, antes de morrer, direi aos maus caros brasileiros: 'Vede o fim de quem se expôs pela pátria, imitai-me.' 
     Vossa Majestade manda-me, que digo! Mandam as cortes por Vossa Majestade, que eu faça executar e execute seus decretos; para eu os fazer e executá-los era necessário que nós brasileiros livres, obedecessemos (sic) à facção; responderemos em duas palavras: 'Não queremos.'
     Se o povo de Portugal teve o direito de se constituir - revolucionariamente - está claro que o povo do Brasil o tem dobrado, porque vai-se constituindo, respeitando-me a mim e às autoridades estabelecidas.
     Firme nestes inabaláveis princípios, digo (tomando a Deus por testemunha e ao mundo inteiro), a essa cálifa sanguinária, que eu, como Príncipe Regente do reino do Brasil e seu Defensor Perpétuo, hei por bem declarar a todos os decretos pretéritos dessas facciosas, horrorosas, maquiavélicas, desorganizadas, hediondas e pestíferas cortes, que ainda não mandei executar, e todos os mais fizeram para o Brasil, nulos, irritos, inezequíveis, e tais como um vento absoluto, que é sustentado pelos brasileiros todos, que unidos a mim, me ajudam a dizer: 'De Portugal nada, não queremos nada'.
Se esta declaração tão franca irritar mais os ânimos desses lusos-espanhois, que mandem tropas aguerridas e ensaiadas na guerra civil, que lhe faremos ver qual é o valor brasileiro. Se por descoco se atreverem a contrariar nossa santa causa, em breve verão o mar coalhado de corsários e a miséria, a fome e tudo o quanto lhes pudermos dar em troco de tantos benefícios, será praticado contra esses corifeus; mas que! quando os desgraçados portugueses os conhecerem bem, eles lhe darão o justo prêmio.
     Jazemos por muito tempo nas trevas; hoje vemos a luz. Se Vossa Majestade cá estivesse seria respeitado, e então veria que o povo brasileiro sabendo prezar sua liberdade e independência se empenha em respeitar a autoridade real, pois não é um bando de vis carbonários e assassinos, como os tem Vossa Majestade no mais ignominioso cativeiro.
     Triunfa e triunfará a independência brasílica, ou a morte nos há  de custar.
      O Brasil será escravizado, mas os brasileiros, não: porque enquanto houver sangue em nossas veias há de correr, e primeiramente hão de conhecer melhor o rapazinho - e até que ponto chega a sua capacidade, apesar não ter viajado pelas cortes estrangeiras.
     Peço a Vossa Majestade que mande apresentar esta às cortes! às cortes que nunca foram gerais, e que são hoje em dia só de Lisboa, para que tenham com que se divirtam, e gastem ainda um par de moedas a este tísico tesouro.
     Deus guarde a preciosa vida e saúde de Vossa Majestade, como todos nós brasileiros desejamos.
     Sou de Vossa Majestade, com todo o respeito, filho que muito o ama e súdito que muito o venera.
     Pedro".


Quadro sobre a independência:

Quadro de Pedro Américo: Grito do Ipiranga, 1888.

Links para se ter uma ideia da proporção real do quadro:
 http://images.slideplayer.com.br/7/1727253/slides/slide_29.jpg
https://maquinadomundoblog.files.wordpress.com/2014/03/salc3a3o-nobre-com-visitac3a7c3a3o-antes-do-fechamento-para-restauro-ao-fundo-vc3aa-se-a-obra-independc3aancia-ou-morte-de-pedro-amc3a9rico-imagem-retirada-de-www-usp-br.jpg