Caso 1 sobre condições análogas à escravidão
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quarta-feira, 31 de março de 2021
quinta-feira, 11 de março de 2021
Platão - Mito da caverna
Alegoria da Caverna
Autor: Platão
Depois disso, Sócrates inventou ainda outra comparação para esclarecer algumas questões sobre a importância da educação dos filósofos para serem os governantes da cidade justa.
Sócrates – Imaginemos que existam pessoas morando numa caverna. Pela entrada dessa caverna entra a luz vinda de uma fogueira situada sobre uma pequena elevação que existe na frente dela. Os seus habitantes estão lá dentro desde a infância, algemados por correntes nas pernas e no pescoço, de modo que não conseguem mover-se nem olhar para trás, e só podem ver o que ocorre à sua frente. Entre aquela fogueira e a entrada da caverna existe um caminho, ao longo do qual se ergue um pequeno muro, semelhante aos tapumes que os apresentadores de fantoches usam para exibir seus bonecos ao público.
Glauco – Estou vendo.
Sócrates – Imagina também que pelo caminho ao longo do muro passam pessoas transportando sobre a cabeça todos os tipos de objetos: estatuetas de figuras humanas e de animais, feitas de pedra, de madeira ou qualquer outro material. Como é natural essas pessoas passam conversando ao longo do muro.
Glauco – Acho isso muito esquisito, assim como os prisioneiros que você inventou.
Sócrates – Pois eles parecem conosco. Mas continuemos com a nossa comparação. Naquela situação, você acha que os habitantes da caverna, a respeito de si mesmos e dos outros, consigam ver outra coisa além das sombras que o fogo projeta na parede ao fundo da caverna?
Glauco – Com a cabeça imobilizada por toda a vida, só podem ver as sombras!
Sócrates – E também com relação aos objetos transportados que ultrapassam a altura do muro?
Glauco – Exatamente a mesma coisa!
Sócrates – Se eles pudessem conversar entre si, não lhe parece que pensariam nomear de objetos reais as sombras que vissem?
Glauco – Certamente.
Sócrates – Além disso, se a caverna tivesse um eco, quando alguém falasse lá fora os prisioneiros pensariam que os sons fossem emitidos pelas sombras projetadas.
Glauco – Não resta a menor dúvida.
Sócrates – Portanto, os habitantes daquele lugar só poderiam pensar que a realidade seria as sombras dos objetos.
Glauco – É claro!
Sócrates – Imagine agora o que aconteceria se os habitantes fossem libertados das cadeias e curados da ignorância em que vivam. Se libertassem um dos prisioneiros e o forçassem a se levantar de repente, a olhar para trás, caminhar dentro da caverna e olhar para a luz, ao fazer isso ele sofreria e, ofuscado, não conseguiria ver os objetos dos quais só tinha visto as sombras. Que pensa você que ele diria se alguém afirmasse que tudo o que ele tinha visto até então não passava de sombra e que a partir de agora ele estaria mais perto da realidade e poderia ver os objetos mais reais? Não ficaria confuso se lhe mostrassem algum dos objetos transportados ao longo do muro e o obrigassem a dizer o que era? Você não acha que ele pensaria serem mais reais as sombras de antes do que os objetos de agora?
Glauco – Acho que sim.
Sócrates – E se o forçassem a encarar a própria luz? Você não acha que seus olhos doeriam e que, virando de costas, voltaria para junto das coisas que podia ver, e continuaria pensando que elas eram mais reais do que os objetos que lhe mostravam?
Glauco – Exatamente.
Sócrates – E se o arrastassem para fora da caverna, forçando-o a escalar a subida íngreme, e não o soltassem antes de alcançar a luz do Sol, não seria normal que ele ficasse aflito e irritado por ser arrastado daquele modo, e, chegando à luz do Sol, com os olhos ofuscados, nem conseguisse distinguir as coisas que lhe diriam ser verdadeiras?
Glauco – É certo que não conseguiria, pelo menos de súbito.
Sócrates – Precisaria habituar-se se quisesse ver as coisas que existem na região superior. No início veria melhor as sombras, em seguida, veria as imagens dos homens e dos objetos refletidas na água e, por última, conseguiria ver os próprios objetos. Depois disso, poderia contemplar o que há no céu durante a noite, olhando a luz das estrelas e da Lua, com muito mais facilidade do que se olhasse o Sol à luz do dia.
Glauco – Não poderia ser diferente.
Sócrates – penso que, finalmente, ele poderia olhar diretamente para o Sol e contemplar, não mais a sua imagem refletida na água ou em outra superfície, mas o próprio astro lá no céu, tal como ele é.
Glauco – Também penso assim.
Sócrates – A partir daí ele compreenderia que é o Sol que produz as estações e os anos e que governa todas as coisas no mundo visível, e que, de certo modo, é a causa de tudo o que ele tinha visto na caverna.
Glauco – Certamente chegaria a estas conclusões.
Sócrates – Você não acha que, quando ele se lembrasse da antiga habitação, dos conhecimentos que lá possuíra e dos antigos companheiros de prisão, ele se alegraria com a mudança e lamentaria a situação dos outros?
Glauco – Decerto que sim.
Sócrates – Suponhamos que os prisioneiros concedessem honras e elogios entre si, e atribuíssem prêmios a quem fosse mais rápido em distinguir os objetos que passavam, se lembrasse melhor a sequência em que eles costumavam aparecer e fosse mais hábil em predizer o que aconteceria. Você acha que o prisioneiro libertado sentiria saudades dessas distinções e teria inveja dos prisioneiros mais honrados e poderosos? Não lhe parece que ele preferiria estar a serviço de um pobre lavrador ou padecer tudo no mundo do que voltar às ilusões de antes e viver daquele modo?
Glauco – Suponho que ele preferiria sofrer qualquer coisa a viver daquela maneira.
Sócrates – Imagina ainda que o homem liberto descesse à caverna e voltasse ao seu antigo lugar: não ficaria temporariamente cego em meio às trevas ao voltar subitamente da luz do Sol?
Glauco – Com certeza.
Sócrates – E se, estando ainda ofuscado, tivesse de julgar aquelas sombras em competição, por acaso não provocaria risos nos prisioneiros que tivessem permanecido na caverna? Não diriam que a subida para o mundo superior lhe prejudicara a vista e que, portanto, não valia a pena tentar subir para lá? Você não acha que, se pudessem, os prisioneiros até matariam quem tentasse libertá-los e conduzi-los para cima?
Glauco – Certamente fariam isso.
PLATÃO. A República (adaptação de Marcelo Perine). São Paulo, Editora Scipione, 2002. p. 83-86.
terça-feira, 9 de março de 2021
Atividade para 9 ano sobre gases tóxicos na Primeira Guerra Mundial
Atividade
Leia com atenção e considere:
1. Qual o impacto do uso de armas químicas n Primeira Guerra Mundial. Explique sua resposta.
2. Pelo texto é possível dizer que esse horror não voltou a se repetir. Explique.
3. Existe alguma ligação desses horrores com a Segunda Guerra Mundial? Explique.
Alemães foram primeiros a usar gás como arma de guerra
Cem anos atrás, o emprego de gases tóxicos já contava como crime de guerra. Ainda assim, numa batalha na Bélgica em abril de 1915, os soldados alemães foram os primeiros a recorrer a essa arma de destruição em massa.
Na noite de 22 de abril de 1915, alemães e franceses se enfrentavam nas cercanias de Ypres, no noroeste belga, como adversários na Primeira Guerra Mundial. Há muito a cidade vinha sendo disputada, sem perspectivas de uma vitória alemã.
Mas naquela noite os alemães pretendiam empregar uma nova arma no combate: o gás tóxico que os soldados haviam enterrado por perto, em milhares de recipientes de metal. Quando o vento virou na direção do inimigo, eles abriram as válvulas dos cilindros, dispersando no ar 180 toneladas de cloro líquido. Vinda das trincheiras alemãs, uma nuvem amarelada flutuou em direção à linha de combate adversária.
E aí começou o horror. De rostos vermelhos, cegos e tossindo, os soldados envolvidos pela massa de gás cambaleavam sem saber para onde ir: 3 mil morreram sufocados e outros 7 mil sobreviveram com corrosões graves.
"Naquele momento, a ciência perdia sua inocência", resume o historiador Ernst Peter Fischer. Se até então o objeto das pesquisas científicas fora melhorar as condições de vida da população, "agora, a ciência criava condições para extinguir vidas humanas".
"Em paz, pela humanidade, em guerra, pela pátria"
Foi o químico alemão Fritz Haber quem descobriu o uso do gás de cloro como arma estratégica. Como primeiro cientista a colocar seu saber totalmente a serviço das Forças Armadas, ele foi nomeado capitão após o "sucesso" da missão em Ypres.
Haber identificou o cloro como substância altamente tóxica que, em função de sua alta densidade, se concentra próximo ao solo. Ele sabia que o cloro ataca as mucosas, causa dispneia, tosse, forte secreção de líquido e muco, e, por fim, morte. Além de tudo, um veneno barato, pois o cloro é um resíduo da indústria química.
"Na paz, pela humanidade, na guerra, pela pátria", era o lema do então diretor do Departamento Químico do Ministério Prussiano da Guerra, cita o historiador Fischer. "Era um outro tempo, aquele. Todos tentavam encontrar um gás tóxico que pudessem empregar na guerra. Só os alemães conseguiram. Eles foram simplesmente melhores – só que nesse caso o melhor é pior que se possa pensar."
O ataque em Ypres era um crime de guerra, mesmo em 1915. Em 1907, a Convenção de Haia proibira o uso de "venenos ou armas tóxicas" – ainda que referindo-se, então, ao envenenamento da água, do solo ou ao lançamento de flechas com veneno, uma vez que gás tóxico nunca fora usado.
Corrida armamentista química
Fritz Haber se tornou um exemplo, e não apenas para os alemães. Os Estados envolvidos no conflito iniciaram uma segunda guerra paralela, a luta pelos melhores cientistas, incumbidos de criar novas armas químicas aptas a ser empregadas o quanto antes.
"No exterior, se olhava com inveja para Haber: todo o mundo gostaria de ter um químico tão corajoso, inteligente e obstinado assim", conta Fischer. Pouco depois, em 1918, Haber foi agraciado com o Prêmio Nobel da Química – embora não pela descoberta do gás tóxico, e sim pela síntese de amoníaco.
Franceses e britânicos também experimentaram com gases de batalha, que passaram a ser usados por todos os partidos em guerra, Entre eles, o fosgênio e o gás de mostarda, frequentemente aplicados em combinação.
Os militares da época chamavam de "tiro colorido" a técnica de combinar diferentes gases tóxicos para levar as vítimas à morte por sufocação. "Gás, gás!" se transformou no temido alarme no front ocidental da Primeira Guerra Mundial. No entanto, por só poder ser aplicado sob condições meteorológicas favoráveis, seu emprego não foi decisivo para o resultado da guerra.
Lucro da indústria
Ainda assim, na Primeira Guerra Mundial iniciou-se uma terrível dinâmica – com a Alemanha como locomotiva. Pois o químico Haber não só criou as condições moleculares para o combate com gás de cloro, como também fez uso de suas conexões na indústria.
O grupo químico alemão BASF produziu durante o conflito o gás tóxico em grandes quantidades. Quando, terminada a guerra, em 1925, foi criado o conglomerado químico IG Farben, Haber ainda integrou seu conselho fiscal.

Cientista Fritz Haber foi obrigado a deixar Alemanha em 1933 por ser judeu
Foi uma subsidiária dessa "sociedade de interesses" que, durante o regime nazista, fabricaria o Zyklon B, o gás da morte utilizado nas câmaras de Auschwitz e outros campos de extermínio, onde milhões de pessoas foram assassinadas.
Isso, nem mesmo Haber poderia prever. "Ele é uma figura trágica", define o historiador Fischer. Em 1933, ano da ascensão da ditadura nazista na Alemanha, o inventor fugia para a Inglaterra, expulso da pátria a serviço da qual colocara seu saber: pois Fritz Haber era judeu.
Tabu justificado
Mais de 90 mil soldados foram mortos com gases tóxicos nos fronts da Primeira Guerra Mundial. No total, cerca de 1 milhão foram intoxicados: muitos morreriam das sequelas anos depois de a guerra haver terminado.
Depois da Primeira Guerra, a Liga das Nações, à qual a Alemanha também pertencia, impôs a rejeição ao uso de gás tóxico em batalha, no documento que ficou conhecido como Protocolo de Genebra. As pesquisas, contudo, continuaram, geralmente sob o disfarce de estudos para o combate de pragas agrícolas.
O Zyklon B é um pesticida à base de ácido cianídrico, cloro e nitrogênio. O agente laranja, usado pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, é um herbicida e desfolhante químico. Empregado para desbastar a densa vegetação do Vietnã, a fim de facilitar o ataque das forças norte-americanas, a substância envenenou o solo e ainda causa enfermidades e deformações nos habitantes das áreas atingidas. Na Síria, centenas morreram em agosto de 2013, num ataque com armas químicas, se cuja autoria governo e rebeldes ainda se acusam mutuamente.
"Com gás tóxico você pode fazer tudo, menos mirar o alvo: você atinge todos que estiverem na área de ação", explica Fischer. O historiador considera justo que o emprego de gases tóxicos permaneça como "linha vermelha", até hoje, já que "este é o ponto em que a guerra se torna ainda mais desumana do que já é".
Extraído de: https://p.dw.com/p/1BMaY




